Amar é frágil

Sou da época das brincadeiras em que a coletividade vencia o jogo: do vôlei no meio da rua, do barra-bandeira, do “batida salve todos” e das gincanas escolares. Mas sou, igualmente, fruto de uma geração narcisística, alicerce desta geração das #selfies, das fotos em frente ao espelho e das declarações vagas de amores risíveis; dos amores que evaporam tão rápido quanto álcool em asfalto do meio-dia.

E foi assim que meus amores sumiram. Evaporaram. Passaram a viver em outros cantos e não me permitiram ser parte de uma etapa que, diretamente, ajudei a construir. O que é novo sempre convida, convoca com calor para as mais inusitadas descobertas. E é aí que você passa a ser aquela peça do guarda-roupa que fará peso na mala. É sua a foto que não merecerá ir para a nova parede junto às fotos dos novos amigos. Se tiver sorte, será (só) mais uma lembrança no fundo de uma caixa que os pais passarão a guardar embaixo da cama, daquela cama em que sonharam não serem mais sós.

Foi por isso que gastei anos me perguntando o que tenho eu de tão equivocado para não ser digna de fazer parte da vida dos outros como quis que fizessem da minha. Gastei. Gastei anos desenhando um quadro que não foi emoldurado. Anos pensando que ser dois era ser um e que egoísmo era não saber dividir um crepe doce, como me fizeram acreditar. Me enganei. Me enganaram. Todas as vezes.

Me entreguei à dor, às #selfies, às vagas paixões aventureiras, mas hoje, por querer a mim, é a mim que eu me entrego. E, somente assim, (re)vestida do narcisismo que eu mesma condeno, encontro serenidade para entender que é possível ser feliz sozinho, porque amar, sem ser a si, é frágil.

Os meus primeiros passos para os primeiros -5kg

Quando escrevi a última postagem, não tinha, realmente, a dimensão do alcance que ela teria. Em menos de 24h, o meu relato sobre a minha trajetória na balança recebeu mais acessos do que o próprio blog em um mês inteiro. :) Fico feliz que a repercussão tenha sido tão positiva, mas também me chamou atenção o enorme número de pessoas que estão próximas a mim e também estão interessadas em perder peso.

Não sei se ficou claro no outro post, mas eu nunca briguei com a balança. Engordei duas vezes na minha vida, ambas já na fase adulta, mas, quando resolvi emagrecer, emagreci sem quaisquer dificuldades. O que me motivou a contar o que contei foi o que descrevi em vários momentos: a necessidade que as pessoas têm de saberem os segredos e truques, os métodos milagrosos que me fizeram perder tanto peso.

De março de 2011 a novembro de 2012, “o grande truque” foi deixar de lado o macarrão instantâneo, a salsicha, os Nuggets e os Hot Pocket, para dar espaço a uma comidinha caseira, feita por mim mesma:

Feijão vermelho + arroz de açafrão, páprica picante e noz moscada + Contrafilé na cebola e no alho + alho frito.

Feijão vermelho + arroz de açafrão, páprica picante e noz moscada + Contrafilé na cebola e no alho + alho frito.

Estrogonofe de frango.

Estrogonofe de frango.

Lentilha + Arroz de açafrão + Farofa bolão + Salada de abobrinha e pimentões + Baby beef.

Lentilha + Arroz de açafrão + Farofa bolão + Salada de abobrinha e pimentões + Baby beef.

Espaguetini + Ragu de berinjela.

Espaguetini + Ragu de berinjela.

Salada de fusilli integral + ricota + brócolis + abacaxi + tomate-cereja + cubos de frango grelhado refogados com pimentão vermelho e amarelo + molho de mostarda e mel + azeite + ervas de provence.

Salada de fusilli integral + ricota + brócolis + abacaxi + tomate-cereja + cubos de frango grelhado refogados com pimentão vermelho e amarelo + molho de mostarda e mel + azeite + ervas de provence.

Bife de frango com manteiga aromática de limão + Feijão vermelho + Arroz com brócolis, abacaxi e uva passa + salada de batata com creme de ricota e salsinha.

Bife de frango com manteiga aromática de limão + Feijão vermelho + Arroz com brócolis, abacaxi e uva passa + salada de batata com creme de ricota e salsinha.

"Risoto" de frutos do mar.

“Risoto” de frutos do mar.

Frango cremoso com sementes de mostarda, arroz e salada.

Frango cremoso com sementes de mostarda, arroz e salada.

Arroz cremoso com brócolis, espinafre e castanha de caju, purê de macaxeira e salmão com alcaparras.

Arroz cremoso com brócolis, espinafre e castanha de caju, purê de macaxeira e salmão com alcaparras.

Cebola recheada, baby beef e purê de cenoura.

Cebola recheada, baby beef e purê de cenoura.

Frango cremoso com quiabo.

Frango cremoso com quiabo.

Quando eu digo que engordei porque comia bobagens, muitas pessoas acham graça porque pensam que eu não sei/sabia cozinhar. Mas sempre fui desenrolada na cozinha. O grande problema era: morar sozinha, cozinhar sozinha para uma pessoa, comer sozinha, lavar e guardar tudo, mais uma vez, sozinha. O “ser só” nunca foi um problema pra mim, porque sempre estive rodeada de amigos. A questão é que toda essa sequência de “sozinha” que enumerei anteriormente fazia com que o desânimo batesse à porta e eu permitisse que ele entrasse e dominasse todo o meu espaço. Por isso, então, relutei muito em começar a cozinhar minhas refeições.

Para minha sorte, conheci Vivian, uma vizinha que morava no mesmo prédio que eu e que também vivia na mesma vibe que a minha: reeducação alimentar e todo o processo do sozinha. Viramos irmãs. <3 Isso me estimulou muito a cozinhar pratos diferentes, a fazer upgrade em pratos do dia anterior, etc. Cada uma de nós ficava responsável por um dia de almoço, e isso era muito massa, porque, agora, eu podia “me amostrar” e compartilhar com alguém as receitas que eu sempre tive vontade de colocar em prática, mas que não colocava por “solidão”. :)

Então, gente, pelas fotos que expus aqui, vocês podem ver que o simples fato de descartar os alimentos industrializados e congelados já pode oferecer a vocês uma redução significativa no peso. No meu caso, consegui eliminar 5kg em dois meses. De início, não precisei cortar carboidratos drasticamente, mas o que fez funcionar o emagrecimento foi, sem dúvida, o fato de que eu não mais consumia altas doses de gorduras saturadas ou sódio. ;) Outra coisa importante foi a quantidade do que eu comia. Muitos pratos levantaram comentários do tipo: “Se eu comesse só isso, ficaria com fome 5 minutos depois”, mas o tamanho da nossa fome costuma ser o tamanho da dilatação do nosso estômago e, por isso, quando começamos a comer menos, nosso estômago acaba perdendo um tanto dessa dilatação e fica saciado com muito, muito menos comida. Não basta reeducar, é preciso, também, reduzir.

Se você não sabe cozinhar, por que não começa a aprender? :) Se você almoça diariamente fora de casa, por que não experimenta colocar 4 em vez de 6 colheres de sopa de arroz no prato? ;) Um dia, talvez, você faz como eu e come só 2! :)

Essas são iniciativas básicas para quem quer se reeducar e perder peso. Mudanças drásticas trarão resultados rápidos, mas dificilmente você conseguirá mantê-los por muito tempo, porque mudanças radicais acabam, muitas vezes, por nos trazer “abuso” e, como consequência, optamos por chutar o balde e abrir os braços para tudo aquilo a que já tínhamos dado as costas.

Reeducação alimentar: como eu ganhei e perdi 18kg

Esta postagem está bem extensa, mas tentarei, nela, responder todas as perguntas que muitas pessoas têm feito a mim sobre como eu perdi tanto peso. Separei tudo em duas etapas: a primeira, minha trajetória de 2008 a 2013; a segunda, a minha visão sobre todo o processo e sobre o que as pessoas costumam querer saber.

Parte 1 | A balança e eu

Tenho 1,75m e quem me conhece há muitos anos sabe que sempre fui uma pessoa magra. Até os 22 anos, meu maior peso havia sido 66kg. Quando comecei a dar aulas, em 2008, tomava café da manhã às 6h e só comia novamente às 10h, no horário do intervalo. Para segurar meu 1,75m de pé, passei a comer, no café da manhã, cerca de 2 sanduíches mistos + 700ml de leite ou vitamina, diariamente. Como ser professora de ensino fundamental é algo que consome muita energia (dava aulas para 5ªs, 6ªs e 7ªs séries), acabava comendo um salgado acompanhado por um refrigerante, também diariamente, no momento do intervalo.

Na época, os professores perceberam que nossos lanches poderiam ser mais organizados e passamos a ficar responsáveis, cada um em seu dia, pelo lanche dos colegas. Daí vieram tortas doces e salgadas e outros tantos alimentos ricos em calorias, gorduras saturadas e muito, muito sódio. O resultado, pra mim, foram 10kg em cerca de 6 meses. De agosto/2008 a setembro de 2009, mais ou menos, pesei 75kg.

Eu não era uma pessoa gorda, mas, para aquilo que sempre apresentei, eu estava pra lá de acima do peso.

Apesar desses 10kg a mais, nunca pude dizer que eu era uma pessoa com facilidade para engordar, porque, a julgar pela alimentação que eu sempre tive, eu deveria ter sido uma pessoa com sobrepeso desde sempre. O que houve, em 2008, foi uma mudança radical especialmente no meu horário de sono, que acabou me fazendo voltar pra casa e dormir várias horas seguidas logo após o almoço, depois de “ter batido” aquele prato super bacana de arroz, feijão e carne.

No final de 2009, resolvi emagrecer e, para isso, me consultei com a minha irmã, que estava se formando em Nutrição, e resolvi ceder a uma reeducação alimentar. Assumi, com força de vontade, uma dieta extremamente equilibrada e, para melhorar os resultados visíveis já com a alimentação, entrei para a academia. Na época, eu tinha disponibilidade para todas as tardes e noites e, por isso, minha frequência era de 5 ou 6 vezes na semana.

Os resultados ficaram visíveis de um jeito até preocupante: perdi 10kg em 45 dias. Um milagre, para muitas pessoas, mas eu sempre preferi chamar de disciplina ou força de vontade. À época, fiz exame de sangue para checar se não tinha ficado com qualquer insuficiência, como a de ferro, mas todos os exames se mostraram excelentes.

Só que fui morar sozinha em outro estado em janeiro de 2010 e, durante aquele ano, meu primeiro ano de “morando sozinha”, não engordei 10, mas 15kg. Mesmo assim, continuo insistindo que eu não tenho facilidade para engordar. E, antes que alguém esteja se perguntando que louca é essa que engorda 15kg em 1 ano e ainda acha que não tem facilidade pra engordar, explico a vocês o meu cardápio: 2 miojos + muita salsicha ou muitos Nuggets nos almoços + muitos hambúrgueres + muitas coxinhas nos lanches + muita cerveja + muito refrigerante e suco de caixa + lasanha congelada + biscoito recheado e, claro, muito, muito, MUITO LEITE CONDENSADO.

No final de 2010, com essa alimentação rica em tudo o que não presta para o nosso organismo, eu pesava 83kg e, pensando nos problemas de saúde que aqueles hábitos poderiam me trazer no futuro, resolvi deixar de preguiça e passei a cozinhar minha própria comida diariamente. A partir de março de 2011, graças a esse primeiro passo, perdi 5kg em 2 meses, só mudando a minha alimentação.

Antes e Depois: de 83 a 78kg. Diferença visível no formato do rosto.

Antes e Depois: de 83 a 78kg. Diferença visível no formato do rosto.

No final do ano (2011), pesando 78kg, resolvi fazer mais adaptações nos meus hábitos alimentares. Inventei de tomar um shake no café da manhã e no jantar, mas não consegui aturá-lo por mais de um mês. Não perdi peso por causa disso, mas foi aí que minha mãe me incentivou a entrar numa academia que ficava praticamente na esquina da minha rua. No meu terceiro dia de aula, fiz minha avaliação física, que me mostrou meus 78kg e quase 38% de gordura corporal. Isso foi o que mais me assustou. Ter quase 40% do peso do corpo de pura gordura era o que mais me amedrontava. E, com um mês de atividade física, indo um dia sim, dois não (hahahahaha), perdi outros 5kg. Tudo aquilo de que meu metabolismo precisava era só um pouco de comida saudável e uma caminhada de 6km a cada dois dias na esteira.

E foi assim, em um ano, que cheguei aos 73kg. Para minha felicidade, não adquiri estrias nesse processo, mas ganhei uma flacidez que não conhecia desde então.

Por esse ângulo, nota-se que o meu braço já tinha sido bem maior, dada a quantidade de gordura/pele que há nele.

Por esse ângulo, nota-se que o meu braço já tinha sido bem maior, dada a quantidade de gordura/pele que há nele.

Aqui, com 73kg, a diferença para os 78kg e 83kg é ainda mais visível no rosto.

Aqui, com 73kg, a diferença para os 78kg e 83kg é ainda mais visível no rosto. (Foto 2 dias depois da anterior.)

Voltei a morar no Recife e, apesar de estar de novo com todas as regalias de uma “casa de mãe”, consegui me manter nos 73kg até novembro de 2012, quando resolvi que já era hora de adquirir novos hábitos (eu já havia melhorado MUITO o que vinha comendo, mas meu organismo já estava adaptado àquelas quantidades e àquela qualidade de comida).

Pesquisei dietas milagrosas e encontrei as dietas da proteína propostas pelos doutores Atkins e Dukan. Escolhi a Atkins para ser minha companheira inseparável e, apesar de a minha irmã ter me orientado contra, meti as caras. O resultado veio rapidinho, em 48h: uma hipoglicemia que não quero ter jamais.

Para a minha sorte, essa hipoglicemia veio nas primeiras 48h e meus olhos se abriram para a necessidade de voltar a me consultar com a nutricionista (que, no meu caso, é a minha própria irmã). E, com uma dieta personalizada, considerando a minha rotina, meu peso, minha altura, minhas metas, perdi 4kg em 12 dias. No início de dezembro de 2012, eu já pesava 69kg e, então, ganhei aquele gás para tocar adiante a minha reeducação. Entrei, mais uma vez, na academia. Na minha avaliação física, que aconteceu em janeiro de 2013, eu havia conseguido reduzir o meu percentual de gordura para 32%, somente com alimentação balanceada.

Hoje, com a prática de atividade física em doses homeopáticas (adoraria conseguir mais, mas não é sempre que dá), peso 65,5kg e tenho 28% de gordura corporal.

Estou me orientando pela balança da minha casa, que é a balança que me acompanha desde o início de tudo. Ela marca 1kg a menos que a balança da academia, mas, para somar todos os quilos que perdi desde março/2011, preciso tomar a balança de sempre como referência.

Ainda tenho um longo caminho para percorrer. Minha próxima meta, para julho/2013, é conseguir 65kg (na balança da academia) e 25% de gordura corporal (ou seja, preciso perder 3% da gordura que tenho hoje).

Parte 2 | Aquele título de autoajuda: o segredo do sucesso

Todo mundo me pergunta o que eu fiz para emagrecer tanto. Sempre tem alguém que vem chorar no meu ombro, Facebook ou Instagram, dizendo que quer perder peso, mas não consegue. Então eu explico todos os cortes que fiz na minha alimentação e as pessoas dizem: “Mas eu vou ficar sem comer meu macarrão de todo dia? E também preciso cortar a cerveja do fim de semana?” Isso sempre me arranca um riso irônico, meio impaciente, confesso, porque as pessoas que QUEREM emagrecer precisam, de fato, QUERER EMAGRECER. Esse querer requer novos hábitos, que trazem consigo vários cortes de coisas que a gente sempre acredita ser impossível viver sem. Não é que você vá abdicar das guloseimas para sempre, mas, enquanto você não cortá-las por um ou dois meses, enquanto você não colocar o bumbum para rebolar numa caminhada, dificilmente conseguirá perder os gramas ou os quilos que fazem você chorar na frente do espelho ou dentro do provador daquela loja que você tanto ama.

Aí cada foto de balança e cada foto minha de “corpo inteiro” que as pessoas veem me rendem pedidos de “dicas para emagrecer” e de “me passa tua dieta” que, desculpem-me, é algo que me irrita um tanto. Todas as pessoas sabem, no fundo, o que precisam fazer. Mas, por precaução, as regras básicas estão aqui:

força de vontade: isso ninguém ensina; só você pode ter e buscar em si;
disciplina: não ache que alguém vai pajear você; você precisa aprender a ser o seu próprio vigilante;
dieta balanceada: quem prescreve dieta é nutricionista. Médicos podem lhe dizer que tipos de deficiência/insuficiência o seu organismo tem, mas só os nutricionistas podem lhe prescrever uma dieta que vá atender as suas necessidades metabólicas. Não adianta fazer a dieta do(a) seu(sua) amigo(a), porque vocês têm hábitos e gostos diferentes, corpos diferentes, metas diferentes;
atividade física: confesso que acredito MESMO, MESMO, MESMO é na reeducação alimentar, porque não tem atividade física que dê conta de maus hábitos alimentares. Mas é óbvio que exercícios físicos aceleram o metabolismo e, entre outros diversos benefícios inquestionáveis, também melhoram a perda de gordura e ajudam no controle e na melhora das suas taxas;
renúncias: sim, renúncias! Você precisará renunciar a uma série de coisas, começando pela redução das “noitadas”, dos hábitos boêmios que são regados a álcool, frituras e outros quitutes; experimente cortar o “pão nosso de cada dia”, ou troque o pão branco por pães escuros ou integrais; esqueça a sobremesa por uns tempos, corte refrigerantes e sucos em caixa (ou consuma-os em pequenas quantidades e com baixa frequência);
consciência: esteja consciente de que você é o grande responsável pelo que come. Se você diz ao mundo que “faz de tudo, mas não consegue emagrecer”, coloque a mão na consciência e veja se você está com os exames médicos em dia, se a sua dieta está sendo seguida à risca, etc. Não saia culpando seu treinador, médico ou nutricionista pelo fato de o seu metabolismo não responder tão bem quanto o de outras pessoas. Conheça o seu corpo, as suas necessidades e as suas limitações;
não idolatre (falsos) milagres: baseado no que falei sobre a consciência, não torne deuses(as) as pessoas que exibem corpos cujos índices de gordura corporal “tendem a 0%”, porque saúde é saúde e estética é estética e, como sabemos, padrões estéticos mudam com o tempo, mas a noção de saúde dificilmente sofrerá alterações.

O mais bacana de tudo é que, desde que retomei minha reeducação alimentar, tenho conhecido pessoas muito legais no Instagram que travam batalhas diárias contra o sobrepeso e que são felizes, que buscam os resultados de maneira saudável, não imediatista. Algumas delas, se pudessem, acordariam 50kg mais magras, mas nem por isso têm sufocado a sua ou a autoestima alheia com planos de saúde e estética que só nos deixam escravos de um corpo perfeito, que talvez nunca venha ou que já existe e simplesmente preferimos não saber. 

Agradeço a todas as pessoas que têm me acompanhado nessa nova educação, em especial à minha nutricionista preferida, Cecília Freitas, aos instrutores da academia que frequento, Unic – Espaço de Metas, e às queridas Dricka Perilo e Teresa Racquel, que estão ali, dia após dia, buscando resultados satisfatórios, mas, acima de tudo, sustentáveis, sem adotar métodos radicais e promissores que podem se desfazer com “pequenos delitos”.

—-

SUGESTÃO DE DOCUMENTÁRIO:

Acho que este é um documentário a que todos deveriam assistir. Dedique 1h do seu dia para aprender sobre as porcarias que nós e nossas crianças comemos sem ter a dimensão exata do estrago que fazemos em nós mesmos. MUITO ALÉM DO PESO: www.muitoalemdopeso.com.br

Provavelmente, mais um textinho clichê de um professor

Nunca quis ser professora. Queria ser promotora. Depois, jornalista.

Aí finalmente descobri que, nisso tudo, eu gostava mesmo era de prestar atenção ao que os outros diziam. E dizer, com um jeito só meu, o que eu mesma dizia. Era de brincar com as palavras, as minhas e as dos outros, aquilo de que eu mais gostava.

Então resolvi fazer vestibular para Letras. Passaria fome, segundo a minha mãe, que deve ter sonhado comigo construindo peças que defenderiam pessoas inocentes, ou assinando uma coluna sobre qualquer coisa em algum jornal local ou revista de nível nacional. Mas eu queria estudar português.

Profissão de fome ou não, achei que minha mãe (e meu pai, se fosse vivo à época) deveriam agradecer que, pelo menos, eu gostava de estudar alguma coisa. (Pior seria se eu não tivesse esse interesse por nada, né?) Daí eu não passei na seleção para a UFPE e foi um susto para todo mundo que convivia comigo. A menina das redações brilhantes “levou pau” com uma redação, modéstia à parte, brilhante, mas que fugiu parcialmente do tema. Que pena.

Eis que, um dia, pouco depois dos resultados da UFPE, minha mãe adentra o meu quarto e me diz: “Quer fazer Letras, né? Então se levante, vá estudar, porque você vai fazer a seleção para a FAFIRE.” Que ódio que eu tive! EU? NUMA FACULDADE PARTICULAR? Impossível. Mas minha mãe disse: “Se é isso que você QUER, não interessa a faculdade. Vá e faça bem feito.” Fui e fiz bem feito.

Mas não queria ser professora. Nem fazer a prática de estágio eu queria, para não ter que me “trocar” com adolescentes desgovernados e interessados apenas na futilidade que é pertinente à idade. Só que, pra fazer o curso bem feito, eu precisava do estágio. Eis que tenho um encontro com uma 6ª série. Logo na porta, um menino me recebe e me diz: “Tia, tu é tão cheirosa!” (Já ganha parte do coração, né?) Durante a aula a que eu assistia, aquela 6ª série se comportou de maneira super participativa e, já há algum tempo, creio que aquele comportamento participativo foi só para impressionar a estagiária novinha e cheirosa que os observava.

Aí não teve outra. Voltei pra casa e disse: “Mãe, eu quero ser professora de 6ª série.”

Esse era um plano, mas um plano “mais pra frente”, porque eu queria fazer uma especialização, talvez um mestrado, por aí vai. Mas fui convidada para ensinar na escola em que eu cresci, a mesma escola onde me apaixonei pela 6ª série.

No primeiro dia de aula, o primeiro encontro com a 6ª série do ano seguinte. Um caos. Ao fundo da sala, um aluno estendia um cartaz: “Estou aqui a contragosto” e, a cada 5 minutos, alguém perguntava as horas. Ai, que arrependimento!

Mas, na aula seguinte, um aluno espreitava à porta. Ao me ver, ergueu a cabeça e disse: “É a professora, é?”. Sorri, concordando. Ele se virou para a sala e deu um grito: “SENTA, QUE CHEGOU A PROFESSORA.” Todos sentaram e fizeram silêncio. Após o meu “bom dia” e antes mesmo de eu me apresentar, esse mesmo aluno se levantou, pediu a licença para a palavra, olhou pra mim e disse: “Professora, sei nem o que a senhora ensina, mas tu é bonita pra caramba.”

E aquela 6ª série por quem eu me apaixonei me deu muito trabalho na 7ª. A 6ª que me recebeu mal me fez uma das festas surpresas de aniversário mais bonitas que eu já tive. As minhas turmas já quiseram me matar, mas também já quiseram se casar comigo. Já me deixaram doente de estresse aos vinte e muuuito poucos anos. Mas, de todo coração, todo estresse e todo desgaste físico e emocional se apagam quando a gente para e pensa que o “ser professor” é um processo de constante descoberta, mas que, mais do que tudo, nos põe diante de pessoas de corações maravilhosos, capazes de te arrancar uma lágrima de raiva, mas de te fazerem o coração chorar de tanta alegria.

Talvez as reações não sejam as mesmas quando a velhice invadir a minha casa, mas, quando a hora chegar, eu continuarei imensamente grata a todos, incluindo aqueles que nunca me acharam bonita, ou simpática, ou inteligente, ou capaz, ou professora. Terei sido jovem, e feliz. E continuarei vibrando cada vez que um aluno ou ex-aluno se dirigir a mim para contar os seus feitos. Sou “novinha”, eu sei, mas já sou parte disso tudo.