Amar é frágil

Sou da época das brincadeiras em que a coletividade vencia o jogo: do vôlei no meio da rua, do barra-bandeira, do “batida salve todos” e das gincanas escolares. Mas sou, igualmente, fruto de uma geração narcisística, alicerce desta geração das #selfies, das fotos em frente ao espelho e das declarações vagas de amores risíveis; dos amores que evaporam tão rápido quanto álcool em asfalto do meio-dia.

E foi assim que meus amores sumiram. Evaporaram. Passaram a viver em outros cantos e não me permitiram ser parte de uma etapa que, diretamente, ajudei a construir. O que é novo sempre convida, convoca com calor para as mais inusitadas descobertas. E é aí que você passa a ser aquela peça do guarda-roupa que fará peso na mala. É sua a foto que não merecerá ir para a nova parede junto às fotos dos novos amigos. Se tiver sorte, será (só) mais uma lembrança no fundo de uma caixa que os pais passarão a guardar embaixo da cama, daquela cama em que sonharam não serem mais sós.

Foi por isso que gastei anos me perguntando o que tenho eu de tão equivocado para não ser digna de fazer parte da vida dos outros como quis que fizessem da minha. Gastei. Gastei anos desenhando um quadro que não foi emoldurado. Anos pensando que ser dois era ser um e que egoísmo era não saber dividir um crepe doce, como me fizeram acreditar. Me enganei. Me enganaram. Todas as vezes.

Me entreguei à dor, às #selfies, às vagas paixões aventureiras, mas hoje, por querer a mim, é a mim que eu me entrego. E, somente assim, (re)vestida do narcisismo que eu mesma condeno, encontro serenidade para entender que é possível ser feliz sozinho, porque amar, sem ser a si, é frágil.