Reeducação alimentar: como eu ganhei e perdi 18kg

Esta postagem está bem extensa, mas tentarei, nela, responder todas as perguntas que muitas pessoas têm feito a mim sobre como eu perdi tanto peso. Separei tudo em duas etapas: a primeira, minha trajetória de 2008 a 2013; a segunda, a minha visão sobre todo o processo e sobre o que as pessoas costumam querer saber.

Parte 1 | A balança e eu

Tenho 1,75m e quem me conhece há muitos anos sabe que sempre fui uma pessoa magra. Até os 22 anos, meu maior peso havia sido 66kg. Quando comecei a dar aulas, em 2008, tomava café da manhã às 6h e só comia novamente às 10h, no horário do intervalo. Para segurar meu 1,75m de pé, passei a comer, no café da manhã, cerca de 2 sanduíches mistos + 700ml de leite ou vitamina, diariamente. Como ser professora de ensino fundamental é algo que consome muita energia (dava aulas para 5ªs, 6ªs e 7ªs séries), acabava comendo um salgado acompanhado por um refrigerante, também diariamente, no momento do intervalo.

Na época, os professores perceberam que nossos lanches poderiam ser mais organizados e passamos a ficar responsáveis, cada um em seu dia, pelo lanche dos colegas. Daí vieram tortas doces e salgadas e outros tantos alimentos ricos em calorias, gorduras saturadas e muito, muito sódio. O resultado, pra mim, foram 10kg em cerca de 6 meses. De agosto/2008 a setembro de 2009, mais ou menos, pesei 75kg.

Eu não era uma pessoa gorda, mas, para aquilo que sempre apresentei, eu estava pra lá de acima do peso.

Apesar desses 10kg a mais, nunca pude dizer que eu era uma pessoa com facilidade para engordar, porque, a julgar pela alimentação que eu sempre tive, eu deveria ter sido uma pessoa com sobrepeso desde sempre. O que houve, em 2008, foi uma mudança radical especialmente no meu horário de sono, que acabou me fazendo voltar pra casa e dormir várias horas seguidas logo após o almoço, depois de “ter batido” aquele prato super bacana de arroz, feijão e carne.

No final de 2009, resolvi emagrecer e, para isso, me consultei com a minha irmã, que estava se formando em Nutrição, e resolvi ceder a uma reeducação alimentar. Assumi, com força de vontade, uma dieta extremamente equilibrada e, para melhorar os resultados visíveis já com a alimentação, entrei para a academia. Na época, eu tinha disponibilidade para todas as tardes e noites e, por isso, minha frequência era de 5 ou 6 vezes na semana.

Os resultados ficaram visíveis de um jeito até preocupante: perdi 10kg em 45 dias. Um milagre, para muitas pessoas, mas eu sempre preferi chamar de disciplina ou força de vontade. À época, fiz exame de sangue para checar se não tinha ficado com qualquer insuficiência, como a de ferro, mas todos os exames se mostraram excelentes.

Só que fui morar sozinha em outro estado em janeiro de 2010 e, durante aquele ano, meu primeiro ano de “morando sozinha”, não engordei 10, mas 15kg. Mesmo assim, continuo insistindo que eu não tenho facilidade para engordar. E, antes que alguém esteja se perguntando que louca é essa que engorda 15kg em 1 ano e ainda acha que não tem facilidade pra engordar, explico a vocês o meu cardápio: 2 miojos + muita salsicha ou muitos Nuggets nos almoços + muitos hambúrgueres + muitas coxinhas nos lanches + muita cerveja + muito refrigerante e suco de caixa + lasanha congelada + biscoito recheado e, claro, muito, muito, MUITO LEITE CONDENSADO.

No final de 2010, com essa alimentação rica em tudo o que não presta para o nosso organismo, eu pesava 83kg e, pensando nos problemas de saúde que aqueles hábitos poderiam me trazer no futuro, resolvi deixar de preguiça e passei a cozinhar minha própria comida diariamente. A partir de março de 2011, graças a esse primeiro passo, perdi 5kg em 2 meses, só mudando a minha alimentação.

Antes e Depois: de 83 a 78kg. Diferença visível no formato do rosto.

Antes e Depois: de 83 a 78kg. Diferença visível no formato do rosto.

No final do ano (2011), pesando 78kg, resolvi fazer mais adaptações nos meus hábitos alimentares. Inventei de tomar um shake no café da manhã e no jantar, mas não consegui aturá-lo por mais de um mês. Não perdi peso por causa disso, mas foi aí que minha mãe me incentivou a entrar numa academia que ficava praticamente na esquina da minha rua. No meu terceiro dia de aula, fiz minha avaliação física, que me mostrou meus 78kg e quase 38% de gordura corporal. Isso foi o que mais me assustou. Ter quase 40% do peso do corpo de pura gordura era o que mais me amedrontava. E, com um mês de atividade física, indo um dia sim, dois não (hahahahaha), perdi outros 5kg. Tudo aquilo de que meu metabolismo precisava era só um pouco de comida saudável e uma caminhada de 6km a cada dois dias na esteira.

E foi assim, em um ano, que cheguei aos 73kg. Para minha felicidade, não adquiri estrias nesse processo, mas ganhei uma flacidez que não conhecia desde então.

Por esse ângulo, nota-se que o meu braço já tinha sido bem maior, dada a quantidade de gordura/pele que há nele.

Por esse ângulo, nota-se que o meu braço já tinha sido bem maior, dada a quantidade de gordura/pele que há nele.

Aqui, com 73kg, a diferença para os 78kg e 83kg é ainda mais visível no rosto.

Aqui, com 73kg, a diferença para os 78kg e 83kg é ainda mais visível no rosto. (Foto 2 dias depois da anterior.)

Voltei a morar no Recife e, apesar de estar de novo com todas as regalias de uma “casa de mãe”, consegui me manter nos 73kg até novembro de 2012, quando resolvi que já era hora de adquirir novos hábitos (eu já havia melhorado MUITO o que vinha comendo, mas meu organismo já estava adaptado àquelas quantidades e àquela qualidade de comida).

Pesquisei dietas milagrosas e encontrei as dietas da proteína propostas pelos doutores Atkins e Dukan. Escolhi a Atkins para ser minha companheira inseparável e, apesar de a minha irmã ter me orientado contra, meti as caras. O resultado veio rapidinho, em 48h: uma hipoglicemia que não quero ter jamais.

Para a minha sorte, essa hipoglicemia veio nas primeiras 48h e meus olhos se abriram para a necessidade de voltar a me consultar com a nutricionista (que, no meu caso, é a minha própria irmã). E, com uma dieta personalizada, considerando a minha rotina, meu peso, minha altura, minhas metas, perdi 4kg em 12 dias. No início de dezembro de 2012, eu já pesava 69kg e, então, ganhei aquele gás para tocar adiante a minha reeducação. Entrei, mais uma vez, na academia. Na minha avaliação física, que aconteceu em janeiro de 2013, eu havia conseguido reduzir o meu percentual de gordura para 32%, somente com alimentação balanceada.

Hoje, com a prática de atividade física em doses homeopáticas (adoraria conseguir mais, mas não é sempre que dá), peso 65,5kg e tenho 28% de gordura corporal.

Estou me orientando pela balança da minha casa, que é a balança que me acompanha desde o início de tudo. Ela marca 1kg a menos que a balança da academia, mas, para somar todos os quilos que perdi desde março/2011, preciso tomar a balança de sempre como referência.

Ainda tenho um longo caminho para percorrer. Minha próxima meta, para julho/2013, é conseguir 65kg (na balança da academia) e 25% de gordura corporal (ou seja, preciso perder 3% da gordura que tenho hoje).

Parte 2 | Aquele título de autoajuda: o segredo do sucesso

Todo mundo me pergunta o que eu fiz para emagrecer tanto. Sempre tem alguém que vem chorar no meu ombro, Facebook ou Instagram, dizendo que quer perder peso, mas não consegue. Então eu explico todos os cortes que fiz na minha alimentação e as pessoas dizem: “Mas eu vou ficar sem comer meu macarrão de todo dia? E também preciso cortar a cerveja do fim de semana?” Isso sempre me arranca um riso irônico, meio impaciente, confesso, porque as pessoas que QUEREM emagrecer precisam, de fato, QUERER EMAGRECER. Esse querer requer novos hábitos, que trazem consigo vários cortes de coisas que a gente sempre acredita ser impossível viver sem. Não é que você vá abdicar das guloseimas para sempre, mas, enquanto você não cortá-las por um ou dois meses, enquanto você não colocar o bumbum para rebolar numa caminhada, dificilmente conseguirá perder os gramas ou os quilos que fazem você chorar na frente do espelho ou dentro do provador daquela loja que você tanto ama.

Aí cada foto de balança e cada foto minha de “corpo inteiro” que as pessoas veem me rendem pedidos de “dicas para emagrecer” e de “me passa tua dieta” que, desculpem-me, é algo que me irrita um tanto. Todas as pessoas sabem, no fundo, o que precisam fazer. Mas, por precaução, as regras básicas estão aqui:

força de vontade: isso ninguém ensina; só você pode ter e buscar em si;
disciplina: não ache que alguém vai pajear você; você precisa aprender a ser o seu próprio vigilante;
dieta balanceada: quem prescreve dieta é nutricionista. Médicos podem lhe dizer que tipos de deficiência/insuficiência o seu organismo tem, mas só os nutricionistas podem lhe prescrever uma dieta que vá atender as suas necessidades metabólicas. Não adianta fazer a dieta do(a) seu(sua) amigo(a), porque vocês têm hábitos e gostos diferentes, corpos diferentes, metas diferentes;
atividade física: confesso que acredito MESMO, MESMO, MESMO é na reeducação alimentar, porque não tem atividade física que dê conta de maus hábitos alimentares. Mas é óbvio que exercícios físicos aceleram o metabolismo e, entre outros diversos benefícios inquestionáveis, também melhoram a perda de gordura e ajudam no controle e na melhora das suas taxas;
renúncias: sim, renúncias! Você precisará renunciar a uma série de coisas, começando pela redução das “noitadas”, dos hábitos boêmios que são regados a álcool, frituras e outros quitutes; experimente cortar o “pão nosso de cada dia”, ou troque o pão branco por pães escuros ou integrais; esqueça a sobremesa por uns tempos, corte refrigerantes e sucos em caixa (ou consuma-os em pequenas quantidades e com baixa frequência);
consciência: esteja consciente de que você é o grande responsável pelo que come. Se você diz ao mundo que “faz de tudo, mas não consegue emagrecer”, coloque a mão na consciência e veja se você está com os exames médicos em dia, se a sua dieta está sendo seguida à risca, etc. Não saia culpando seu treinador, médico ou nutricionista pelo fato de o seu metabolismo não responder tão bem quanto o de outras pessoas. Conheça o seu corpo, as suas necessidades e as suas limitações;
não idolatre (falsos) milagres: baseado no que falei sobre a consciência, não torne deuses(as) as pessoas que exibem corpos cujos índices de gordura corporal “tendem a 0%”, porque saúde é saúde e estética é estética e, como sabemos, padrões estéticos mudam com o tempo, mas a noção de saúde dificilmente sofrerá alterações.

O mais bacana de tudo é que, desde que retomei minha reeducação alimentar, tenho conhecido pessoas muito legais no Instagram que travam batalhas diárias contra o sobrepeso e que são felizes, que buscam os resultados de maneira saudável, não imediatista. Algumas delas, se pudessem, acordariam 50kg mais magras, mas nem por isso têm sufocado a sua ou a autoestima alheia com planos de saúde e estética que só nos deixam escravos de um corpo perfeito, que talvez nunca venha ou que já existe e simplesmente preferimos não saber. 

Agradeço a todas as pessoas que têm me acompanhado nessa nova educação, em especial à minha nutricionista preferida, Cecília Freitas, aos instrutores da academia que frequento, Unic – Espaço de Metas, e às queridas Dricka Perilo e Teresa Racquel, que estão ali, dia após dia, buscando resultados satisfatórios, mas, acima de tudo, sustentáveis, sem adotar métodos radicais e promissores que podem se desfazer com “pequenos delitos”.

—-

SUGESTÃO DE DOCUMENTÁRIO:

Acho que este é um documentário a que todos deveriam assistir. Dedique 1h do seu dia para aprender sobre as porcarias que nós e nossas crianças comemos sem ter a dimensão exata do estrago que fazemos em nós mesmos. MUITO ALÉM DO PESO: www.muitoalemdopeso.com.br

Anúncios

6 comentários sobre “Reeducação alimentar: como eu ganhei e perdi 18kg

  1. Dricka Perilo disse:

    AHHHHHHHHH QUE LINDA!!!!! Saiba que o que me manteve firme desde o inicio até hoje, foi sua simpatia, amizade, companheirismo e dedicação como vc descreveu ai e nas conversas via instagram e whatsapp! <3 Desejo a você, da forma mais natural e saudavel do mundo, sucesso em todas as áreas da sua vida!!!! Você é incrivelmente linda (nunca se esqueça disso), inteligente, divertida e talentosa! Foco e força, que a vida corre, mas a gente, quanto melhor estiver, mais consegue correr junto com a vida! :) JUNTAS EVER! nessa etapa e nas próximas!!!!

  2. Marcela disse:

    Anoca, também estou num processo assim. Por causa da mudança drástica e da saudade da comida de Mainha, ou talvez pela liberdade de poder comer o que eu queria, acabei engordando MUITO aqui. Tenho 1,64m e cheguei a pesar 81kg, obesidade grau 1! Passei por esse processo de achar que fazia tudo que podia mas não emagrecia, como você mesma disse, coloquei a mão na consciência e percebi que aqueles chocolates nunca saiam da minha bolsa… Depois de muito tentar sozinha(e falhar todas as vezes) resolvi procurar uma nutricionista que me atendia via Skype. No começo dói muito ver as pessoas ao seu redor comendo batata frita e hambúrguer e não comer, a gente pensa que o nada faz sentindo e não é um lanche que vai me acabar… Mas nesse processo aprendi a trabalhar com meu músculo da ‘resistência’ e aprendi a dizer não a muitas coisas, inclusive não como mais pão, macarrão, Picanha, refrigerante, e assim vai. Claro que as vezes acontece, mas quando acontece, eu consigo me segurar com 1 porção ao invés de 10. Por fim, desde 15 de outubro eu eliminei 16kg. Não tem mistério não, tem que ter determinação, foco e disciplina, porém o mais importante é o desejo de mudar.

    • anoca disse:

      Isso, isso, isso!!
      Eu, na verdade, nunca “briguei” com a balança, porque estava acima do peso PORQUE QUERIA. Todas as vezes em que eu quis emagrecer, emagreci tão logo eu fiz por onde. E fui aos poucos, de 5kg em 5kg, pra que eu fosse me acostumando ao meu corpo e não criasse hábitos que eu não pudesse sustentar :)

      Fico muito, muito, muito feliz mesmo em saber que você conseguiu jogar fora 16kg e espero que seu marido também esteja com essa mesma ideia! :D (Antes de vocês se mudarem, eu vi que ele tinha emagrecido bastante, mas, em se falando dele, a gente não pode dar corda, né?)

      Vou ver se compartilho agora os meus cardápios, pra tentar incentivar as pessoas a ir pra cozinha e, também, a ver que dá pra fazer dieta com comida bonita e gostosa!!! <3

      :*************

  3. Yú Queiroz disse:

    Aninha,
    Muito bom ler seu post como nutricionista e como pessoa que desde os 12 anos começou a fazer regime e a brigar com a balança.
    Hoje, estou um pouco cansada de tudo, desse corpo perfeito e com 0% sem gordura, desta alienação das mulheres pelo corpo da Sabrina Sato, de ver o povo comedo sem glúten e lactose, enfim, to cansada desse papo #carolbuffara! hahaahahaha
    Quero ver as pessoas comendo comida de verdade, sabe? Sem precisar se matar de comer coisa que nunca fez parte do seu hábito alimentar para seguir tal #projeto.
    Hoje, estou bem acima do meu peso ideal e na casa da obesidade grau 1 (mesmo sendo nutricionista #tristefim), mas de verdade acredito na reeducação alimentar e na prática de exercícios físicos na busca pelo peso ideal e, principalmente, na melhora da qualidade de vida! Gostei demais de ver que você atingiu seu objetivo assim com RA, exercícios e muita disciplina. Com certeza, isso estimulará diversas pessoas a fazer o melhor para o seu corpo.
    Estou até reflexiva depois deste post, preciso pegar lá dentro de mim o foco, a determinação e a disciplina que ultimamente andam bem adormecidos na minha pessoa. hehehehe Parabéns pela eliminação do peso e do ganho de saúde que você conquistou! Beijos

    • anoca disse:

      aaaaaaaaaaaaaeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!
      Faça isso, Yú! :)

      E saiba que eu sou uma das maiores fãs da sua profissão. Minhas dietas prescritas por Cecília NUNCA me deixaram na mão. NUNCA. Tudo é sempre muito equilibrado, dentro daquilo que eu preciso pra me manter de pé, saudável. <3

      Também não tenho paciência para quem posta corpos sarados como inspiração e meta principal na vida. Como falei, padrões estéticos mudam (e como!) ao longo do tempo, né? Quero ser saudável. Quero poder "jacar" de vez em quando e não ter ninguém que venha me criticar por eu ter sido feliz com aquele "delito", que se torna completamente permitido a partir do momento em que eu faço dele UM MOMENTO, não uma regra quase diária. :)

      :****************

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s